A mexicana Femsa
e a Coca-Cola Company fecharam a compra da Sucos Del Valle,
em uma operação de US$ 470 milhões.
Do total, US$ 380 milhões foram pagos à vista
e US$ 90 milhões correspondem a dívidas. Cada
uma das empresas entrou com 50% do valor do negócio.
A compra inclui as seis fábricas da Sucos Del Valle
no México, onde está sediada, e também
a unidade brasileira, instalada em Americana (SP).
A Del Valle fatura US$ 440 milhões
por ano e tem um portfólio de produtos elaborados
com sucos, néctares, polpas e concentrados, refrescos
e até alimentos como bebidas lácteas e molhos
de tomates. A aquisição da Sucos Del Valle
dá à Femsa 27,6% do mercado de sucos prontos
para beber no Brasil, considerando-se as participações
da Sucos Mais, de 7,6%, e Del Valle, de 20%. A terceira
colocada, Sú Fresh, tem 7% e o Maguary, da Kraft
Foods, 6%. Como terá mais do que o triplo de participação
da segunda colocada no setor, a Femsa terá que aguardar
o sinal verde do Cade para fechar o negócio. O órgão
regulador mexicano também analisará a transação.
Lá, porém, a Femsa terá 20% e continuará
na segundo posição atrás da Jumex,
com 22%.
A idéia da
Coca-Cola e da Femsa é criar uma terceira empresa
para suportar o negócio de sucos. A partir dela,
as duas sócias "convidariam" os demais
engarrafadores do sistema Coca-Cola do Brasil e do México
para comprarem uma participação acionária
na Sucos Del Valle. Com a estratégia, a multinacional
pode alavancar o segmento de bebidas não carbonatadas.
Mundialmente, a empresa vem sofrendo pressões por
ter um portfólio muito focado em refrigerantes. Mais
de 90% da receita ainda vem desse segmento.
A Coca-Cola Company
está fazendo esse mesmo movimento no Brasil com a
recém-adquirida Sucos Mais. Depois de desembolsar
R$ 100 milhões na empresa de sucos capixaba, a multinacional
“convocou” seus 17 engarrafadores para comprar
uma participação equivalente à média
da venda de refrigerantes e de não carbonatados.
A Coca-Cola estaria disposta
a sair da operação, quando a Sucos Mais alcançar
o ponto de equilíbrio, com rentabilidade sobre o
capital investido. Com essa estratégia, a Coca-Cola
consegue implementar a estratégia global de incentivar
os fabricantes a vender mais sucos , água, isotônicos,
chás e energéticos, que hoje correspondem
a apenas 5% do faturamento, mas têm grande potencial
de crescimento.